Quinta-feira, Maio 28, 2009

Eu acredito no jogo. Acredito na jogatina, no vicio pela aposta, a adicção pelo "ou tudo, ou nada".

As vezes é difícil a certeza. A roleta não para, e nem sempre é uma questão de escolher pares ou ímpares; ou vermelhos ou pretos. A roleta dourada segue girando, e sempre existe o duplo zero, a tarja verde. Eis que quando se acredita nos 50% de chances se chega a perda total incalculada. É a vida do jogo, e o jogo sobrevive de apostas.
Quantas vezes apostar parece certo, mas não se sabe a razão de tal aposta? Não, nunca paramos pra calcular as porcentagens de cair três ou quatro vezes seguidas o preto, ou coisa assim. Apenas sabemos do instinto, aquela coisa que toma forma e nos assume. Dane-se os vermelhos, dane-se o duplo zero verde... análogas são aliadas, mas dessa vez vou contra. Preto. É isso... Preto.

Abro mão do certo. Abro mão do regular. Abro mão do coerente. Se é assim, as fichas estão na mão, e as porcentagens alteram conforme a bola vai rolando e quicando sob o comando de uma força que não sei qual é, mesclado com gravidades e forças que nem sei o nome. Tendências naturais, mas que não necessariamente precisa se entender. Não nessa hora. Não dessa vez. Rola, bolinha! Rola, bolinha...

As fichas estão dispostas. Preto. Por favor, preto. Não tenho nada em mãos...

All In

Sábado, Fevereiro 28, 2009

Certo de estar,
Sob um tempo que passou
Não precisa me humilhar
Se o teu sonho terminou

Então vá, saia de mim
Saia de mim

Toda ilusão
É normal, sempre chega a um fim
Nem precisa razão
Nem me amar tanto assim

Então vá, saia de mim
Saia de mim

Então vá, não vou mais lhe prender
Vou cantar em outro quintal
Você vai se fuder
Tu vais sentir que o coração
Não tem nenhum senso de humor
E o que dirá você quando eu lhe esquecer?

Mas se você
Não quiser que eu repulse o bem querer
Que eu guardei pra você
É um sinal de uma nova esperança de ter
Novamente seus olhos, que um dia foram meus

Quarta-feira, Fevereiro 11, 2009

De Profundis

Eu não sei como começar isso. Nunca soube como começar ou terminar alguma coisa... mas essa história de deixar situações em aberto, que antes nunca me incomodou, hoje me perturba no sentido mais literal da palavra. Me tira fora de mim, ter ações e pensamentos que não são coerentes com a forma que eu vejo o mundo. Talvez tu tenha me mudado. Talvez eu tenha me mudado. Talvez eu tenha me mudado pra ti.
Estava pensando e realmente não sei como reagir se um dia eu voltar a te ver_ mesmo sabendo que tu não quer me ver, por mais que custe a aceitar isso. Queria ter alguma palavra tua que me podasse, ou que me desse esperanças, ou que de alguma forma esclarecesse tudo que passa na minha cabeça. Essa coisa de deixar tudo em aberto, de temer dizer qualquer palavra, de teimar em não assumir o que pensa, ou que sente, o que é, nunca me funcionou. Talvez a problemática seja eu, que não dei o primeiro passo. Mas o perturbado é tu, quem me deixou cheia de certezas a partir de ações, mas com a boca dizia coisas que me afastavam. Não tem como se ter certeza do que está acontecendo quando as coisas são assim. Eu não sou segura a ponto de me abrir pra uma pessoa que não dá indício do que pensa ou do que sente.
... E naqueles dias eu queria que tu sentisse... e então tu começou a falar em causas e como sentimentos são superficiais se comparados a uma causa. Não entendi o que era isso na hora. Não entendi porque podia ser tanto uma coisa de dizer que não haveria um casamento_ coisa que obviamente eu sabia_ quanto uma forma de se convencer e se afastar. Pelo menos, assim foi o que pareceu. E eu não estava insana naquela época como estou agora.
Não quero ver, não quero olhar, não quero enxergar a quantidade de lacunas que até agora ficam. Até porque, se me prender em qualquer uma delas, sempre vai ter aquele questionamento: "tal coisa foi por desdém ou porque existe alguma coisa mais sentimental omissa por ali?". Honestamente? Não posso mais ficar nessa, afinal esses pensamentos me estão perambulando tem, o que? Quatro meses? Nossa... quatro meses é muito tempo pra tantos impasses. Quatro meses é muito tempo pra eu não mais sonhar se um dia vou te ver de novo... nem que seja em fotos que eu ainda não vi...
Como disse antes, não sei como eu reagiria com uma posição de certeza caso houvesse a chance de nos reencontrarmos. Até porque, pra mim, tu não quer esse reencontro. Acho que eu me fecharia, me contrairia até ter algum indício de como agir. Só que atos mecânicos não dão brechas pra falhas humanas, logo essa brecha nunca existiria. E eu ficaria tensa e incomodada. E o mais irônico... falhas humanas comportamentais não são uma das coisas mais divertidas da vida? Agir impensadamente não contribui com cores diferentes no dia a dia?
Nossa, como é estranho esse meu conflito interno. Racionalmente, eu te odeio por todas as tuas perfeições e certezas, toda essa "messiez" e raciocínio lógico incontrolável, que sempre me lembrou Spok. E internamente, essa coisa que não sai de mim, que eu não consigo definir nem argumentar, mas que fica ali. Muitas vezes latente, até tomar a força que me tomba. OK, eu tombo fácil... mas isso só no sentido literal da brincadeira. E essa coisa do latente e estrondoso me bate fulminantemente ao pensar, não na questão do recíproco ou não_ porque isso nunca me importou, por mais que preferível_, mas na insegurança de ter ou não sido alguma coisa. Sim, eu gostaria da certeza de ter sido alguma coisa, porque pra mim essa pilha de falhas que eu vejo agora expressa em ti me foi extremamente necessária, e me mudou muito. Foi fundamental pra eu rever muita coisa, da mesma forma que eu sinto como se tivesse me libertado de mim mesma, e de um mundo que eu não sentia segurança a minha volta. Como é estranho... a pessoa que saciou a minha gana por segurança é a única pessoa que consegue me deixar totalmente insegura.
Me é difícil, mas assumi que esse jogo eu perdi. O problema é que não é um jogo, nem nunca foi. Pelo menos pra mim. Mas virou. E eu perdi sem nem saber as regras.

Ainda posso blefar?

Quarta-feira, Janeiro 30, 2008

E se, de repente, tudo o que fez sentido por tanto tempo sumisse?

Quinta-feira, Novembro 15, 2007

E se, na verdade, tudo fosse apenas um complô de alguém ou alguma coisa contra o mundo, de forma a ter sido bem sucedido e conquistado, finalmente, a grande façanha de brincar com nossas meras existências, nossas indignas vidas, nossas mentes imorais? E se somos apenas joguetes de um destino pré determinado por algo ou ninguém, onde tudo parece uma coisa que não é, e nos convencem de uma terceira opção? Se a coisa funciona de forma obtusa, onde as línguas que falamos, entendemos ou nos esforçamos para compreender cria apenas ideais falhos, onde lutamos para usar palavras da forma que nos ensinam (ou nos lavam o cérebro), e que, na verdade, estão erradas_ e desta forma, passamos adiante a proliferação da ignorância e do não saber. Podemos ver o caso dos priomeiros xingamentos não xulos que aprendemos. Idiota, ignorante, abobado. Hoje, falar abobado ´é quese sinônimo de preconceito, pois refere-se diretamente a portadores de alguma síndrome (principalmente, Down). Idiota, coloquialmente usado de forma errada (como, mesmo, o xingar) tem sua formação dom Id, referente a interno, pessoal, e Ota, superlativo comum; logo, idiota vem a ser uma pessoa forte, dotada de grande força interna ou personalidade. Ignorante mantém a forma de xingamento, e certamente é um dos piores. É a pessoa que ignora, normalmente referente ao saber. Ignora algum tipo de saber, indiferente à moral, imoral ou amoral, apenas não quer conhecer. Ignora. Possivelmente, se as pessoas dessem maior valor ao que sai de suas lindas bocas desdentadas, o funcionalismo de leis e verdades absolutas seria mais relevante...

(Fase mal-humorada de 4 de outubro, mas boa de postar)

Sexta-feira, Setembro 21, 2007

Hoje assisti uma coisa muito interessante, falando sobre adultos com hábitos de adolescentes. Fora as questões psicológicas dessa situação (que são muito agravantes, sem dúvida), teve um dado que, por um lado, me apavorou, por outro, me deu um certo conformismo (considerando o post anterior).
Uma estatística idiota que o IBGE fez mostra que há 13 anos atrás a idade média de jogadores de video game era 18 anos, e hoje, 29.
Como disse, mais um dinheiro bem investido para o bem da nação, pois como sobreviver sem o fundamentalismo dessa informação?

Mas analisando tal dado, o que se pode concluir???

Simples. Que uma mesma geração não abriu mão de seus video games conforme cresce, e que essa síndrome de infantilismos assola os nascidos na década de 80.

Mas onde está a relevancia de tudo isso?
Não indo a lados psicológicos psiquiátricos pedagogos, onde os pais queriam dar uma mentalidade mais aberta e amigável a seus filhos, temos uma reação de insatisfação com um sistema sério, principalmente quando fomos criados em meio a permanentes, Farrah Fawcett, calças clochá e ombreiras.
O formato que as décadas e a idéia de seriedade vão adotando não parece satisfatório, e talvez até soe como incongruente na mente de muitos: há de se ter o direito a lazer pleno, e liberdade para se jogar Super Mario.

É compreensível ver uma geração de raciocínio rápido e amigável, hiperativa e colorida jogando video games, e apegando-se ao bom e velho aparelho acoplado ao televisor, e substancialmente criticável aqueles que não o fazem. Se o Video Game perpetua uma suposta imaturidade, que deixa as pessoas se divertirem, e rirem até cair, que o faça; isso é tão falho q criticado hoje em dia que passa a ser necessário um bem devasso.

Sexta-feira, Agosto 17, 2007

Mais um ano novo para mim. E certamente não será o último início, final ou crise de data, mas um novo ano.

Mas dias reflexivos devem ser postados, porque, prantos a parte, tudo que pode levar a gente ou outros a pensar ou viajar, deve ser postado para ajudar alguém.

Tópico do dia: o Complexo de Peter Pan.

Não, esse não é mais um nome lindinho que eu inventei para alguma síndrome que quase ninguém nota a existência. Esse é um nome quase científico, e psicólogos e psiquiatras sabem explicar melhor do que eu, com certeza. Afinal, eu sofro desse mal.

Quando estabilidade em todas as áreas é um problema, quando há um vínculo estreito familiar (que possa chegar a ser doentio, ou que pelo menos, afeta e agride pessoalmente), quando fazer aniversário e ficar mais velha vira um drama, eis que surge...

O Complexo de Peter Pan

Crescer passa a ser um fardo, então, quando tudo pode fazer sentido. Mas o sem sentido ainda parece querer prevalescer. Na verdade, esse complexo nada mais é do que aceitar a sua verdade (quando pessoas da paz).

Sim, porque é difícil encontrar pessoas que tenham 100% de certeza no que estão fazendo; e isso creio que englob até num sentido religioso. Alguém tem realmente certeza do que está fazendo aqui em vida? Por que renasceu (ou nasceu, dependendo da religião)? Para onde vai? Que caminho escolher? Se a incerteza é tanta, o correto é ser feliz para aproveitar isso. Mas... se a incerteza é tanta, não há de existir um medo ou um receio do final?

Logo, o Complexo de Peter Pan é assumir suas incertezas e temer os resultados, sendo prejudicial apenas por frustrar as pessoas, que temem a aproximação do incerto.

O que é competamente racional! Mesmo com um nome doce e infantil, creio que é uma concepção muito mais madura e realista do que aqueles que não a possuem podem ter da vida. Se a irracionalidade é seu forte, vá de cabeça em tudo e sofra, mas sofra muito (coisa que vai contra a idéia de viver e ser feliz por não ter certeza do final).

Me soa irracional, também, a falta da busca por si só, bem como a falta de ouvir a voz da alma... mas isso seria muita coisa a escrever hoje. O importante é que assumir um Complexo de Peter Pan é ter um pouco de realismo no cérebro, e saber que espera algo.

Plante agora.

Quarta-feira, Agosto 01, 2007

Creio que todo mundo sabe que meu limite vai além da compreensão humana. Nem mesmo eu sei definir esse limite, e tenho medo de dizer que uma coisa vai_ ou não_ estourá-lo.
Da mesma forma, creio que todo mundo tem direito a opinião. Mas opiniões não são ordens, nem devem ser embutidas na marra; creio que qualquer pessoa que tente prevalescer sua opinião, sem argumentá-la ou sem tentar ver os contras que (normalmente) esta acarreta, na verdade, é bastante infantil e imaturo, e certamente não consegue assumir seus erros banais.
Sim, eu sei. Certamente estou errada _ como de costume. Mas eu, que sou uma pessoa hierárquica, realmente me irrito quando me deparo com pessoas me impondo uma verdade que não é a minha, sem nenhum argumento ou causa. Uma pessoa, desconhecida, atirando conceitos vãos a meu respeito, como se estivesse no direito de se impor; como se fosse superior a mim.
Não que eu seja superior ou esteja num top que poucos ultrapassam... longe disso! Mas sempre que surgem pessoas desse calão, que fazem isso por estar com as costas quentes, a única coisa que me passa na cabeça é que eu não sou uma escada. Adoraria ser, mas não sou.
Escada, no sentido alavanca, que eleve as pessoas... nossa, amaria que pudesse me encaixar nesse conceito (mesmo não podendo). Soa lúdico... soa como encontrar uma qualidade fundamental na vida, um lugar ao qual pertença...
Mas situações como essas, onde insistem em pisar uns nos outros pra tentarem ser melhors, ou ascender num hospício... não, isso não dá pra agüentar! É uma fórmula simples de me fazer perder a minha tão plena calma...
( Sim, eu sou calma. Sou ansiosa quanto a mim, mas de uma plenitude ímpar. E eu nunca, ou raramente vou trazer carga desnecessária e/ou stresses desnecessários aos outros)
calma, Kika... tudo dá certo... se tu não visse o carro andando, até poderia te lamentar...
ARGH!

Sábado, Julho 21, 2007

Nunca comi jaca.
Na verdade, nunca tive curiosidade o suficiente de comer jaca. Aquele aspecto de Kiwi pré-histórico não deve dar gana em ninguém de comê-la.
Nunca vi uma jaca aberta, nem sei dizer com o que ela se assemelha_ ninguém que conheço tem jaca como uma fruta favorita, ou mesmo compra-a.

O que sei dizer é que ela é convidativa a um pé. Uma fruta grande, vistosa... possivelmente viscosa, convida a por um pé nela. E de pé na jaca eu entendo.

O único infortúnio é quando se vê a bendita fruta, ali, exposta, e se sabe que não é possível fugir dela. O caminho mais certo, então, é colocar o pé, logo, e se livrar do "sacrifício". Mesmo sabendo que não devemos desperdiçar as frutas, que tem gente passando fome pelo mundo, conforme nos aproximamos sabendo que devemos colocar o pé na jaca, acabamos por apreciar, muitas vezes, tal feito. E o gostar de colocar o pé na jaca (seria certo afirmar isso?), então, vira uma ânsia incontrolável nesse momento.

É fácil visualizar isso... imagine uma alameda, árvores lindas, uma calçada limpa, linda e impecável, com uma jaca ao centro, cerca de 70 metros daonde você está. E siga andando. A jaca se aproximará de você também!

Cria-se uma certa expectativa pelo pé na jaca conforme ela vem chegando. E aquele sentimento interno dizendo "agora não tem volta. Antecipei o pé na jaca, e quero-o! AGORA!!!". Borboletas na barriga, nó na garganta... Chega-se na jaca.

Pronto! Ela está ali! É só meter o pé... Tá na hora!!!!

E ela sai rolando... alameda abaixo... entra numa ruela, é atropelada por um fusca, e ficamos sem imaginar que cara fazer.

"... Mas eu nem queria meter o pé na jaca! Por que ela foge de mim quando aceito-o de tão bom grado??? "

Sábado, Julho 07, 2007

Uma vez, uma menina não aceitava que estava errada. Ela insistia que todos ao seu redor estavam errados, mas ela, nunca.

Certa vez, ela adentrou uma sala para ver se arranjava alguns erros alheios para criticar. Não encontrando, mexeu em tudo, e ao acender a luz, deparou-se com pegadas de sujeira no chão. As pegadas eram dela mesma, mas ela nunca assumiu. E nunca limpou.

Outro dia, ela tentava se convencer de que era prestativa, e foi fazer alguns trabalhos necessários ao meio. Na verdade, eram tarefas de obrigatoriedade semanal dela fazer isso, mas ela se sentia acima da lei e acima de qualquer dever; então, suas obrigações passaram a ser um bem pela humanidade.
Por sua vez, um lindo pássaro pousou na janela. Ela foi, direto, reclamar, pois aqueles passinhos do pássaro arruinavam seu tão árduo trabalho.
Então as pessoas que foram conferir tal infortúnio, e depararam-se com pegadas embarradas da menina como a única sujeira alheia ali.

Não existe como pensar outra coisa:

Essa menina precisa aprender a lavar seus sapatos.

Segunda-feira, Junho 18, 2007

Após a bela fase "é terrível ser mulher", as teorias sobre existencialismos baratos têm se esvaído...
Na verdade, até tenho algumas, mas que voltam a redundância da fase anterior, e realmente não é bacana insistir nisso, mesmo que orgasmos multiplos não aliviem a tensão que uma criação inteira deixa impregnada.
Música? Poesia? Trecho de alguma coisa?
Não. Esse é um post sobre nada, mas nunca sobre O nada... esse é mais complexo... e ainda não cheguei nele, nem anuviei minha vida o suficiente para querer desbravá-lo.
Mas continuo numa inquietante busca pela verdade:

O que eu estou fazendo aqui?

Sexta-feira, Maio 25, 2007

É horrível ser mulher.

Desde o princípio químico, os exames, os ovários, a menstruação, a menopausa... até mesmo o ovular é um caos; até a linha de pensamento que surge a partir daí, e fatores sociais de discriminação, desvalorização.

Talvez a mescla disso que gere o q sei q é errado, que vai contra quem eu sou, mas onde não consigo contrariar "o que" sou.

Mulher... mesmo fugindo desse rótulo de todas as formas possíveis, não falho quando vou analisar a postura.

... Mas como assim, postura?
O posicionamento interno perante o mundo, ó sábio leitor. Enquanto numa sociedade machista, onde o Capitalismo ainda impera, onde dinheiro compra tudo e todos são compráveis, os cílios altos e (ainda) esticados são capazes de mostrar um ar sonhador que só as mulheres conseguem manter.
Isso é meigo, retrô... bem anos 50, mesmo. E isso pode ir contra qualquer feminismo (e ainda devo apanhar na rua de algumas meninas vestidas de lenhadoras por isso), mas esse é o papel que sempre coube a mulher.
Sei que nesse ponto me contradigo, pois eu fui quem levantou que as leoas sustentam seus machos e são o cérebro do grupo, e tudo mais, mas a sensibilidade e facilidade de ilusão mantém o sonho. E como disse antes, isso está se esvaindo do mundo.
Posso, claro, atribuir isso ao funk, a liberação sexual, a eliminação dos soutiens, mas acho que as mulheres têm se envergonhado de sua essência. Eu, realmente, me envergonho, mas isso não me faz exigir de mim mesma a postura de masculinização, como propôs Sex and the City _ depois que o Carnaval da Bahia perpetuou isso por aqui. Se mulheres optam por aceitar a abolição de boas maneiras, de conceitos vãos machistas de um cotidiano, é uma opção. Mas a reação disso não tem sido aceitável: uma sociedade baseada em valores estruturais, nada de moral para as crias, dessas antes, então, leoas. Ninguém luta mais por seus ideais e sua felicidade, e sim, para competir com o colega de cubículo quem tem o cartão de apresentação mais bonito.
Salva-se ainda aquelas que libertam sua mente e se aceitam, aceitam suas reivindicações, seus sentimentos. Mas quantas demonstram isso? Isso, sim, seria a base, os pilares, pra um feminismo viável e real.

Gostaria de viver nos anos 50... segurar a mão no portão, ter certeza das coisas como elas se mostravam. Amores platônicos, encantamento... cílios ainda mais altos...

Hoje isso é o atestado da ignorância, e pessoas assim estão fadadas ao fracasso. É frustrante ver que antigos hábitos se perdem, ou nem chegam a funcionar... dates, drive-in... tudo parece tão distante, tão vão numa sociedade em que sexo é prioritário a sentimentos; onde palavras boas, de afeto, e elogios são vetadas quase como crime; onde demonstração de afeto vira assédio...

Mulheres, então, se submetem a assaltar junto de seus namorados. A apanhar sem abrir a boca. A trancar os filhos indesejados num porão... Por que isso?

Definitivamente opto pela minha ignorância.


Terça-feira, Maio 15, 2007

A culpa é da arte.

Todos os dramas atuais de uma sociedade surreal-mentecapta ocorrem por culpa da arte.

Fala-se em educação e saúde como bases dessa abstrata sociedade ideal, mas isso é a maior mentira que a humanidade já inventou. Na verdade, essa idéia é a mais erronea da qual já se ouviu falar. Como afirmar tais coisas quando é possível ver que fases de caos mundial poderiam ser inexistentes se a arte fosse valorizada? Vidas poderiam ser poupadas e dores poderiam ser atenuadas com a arte.

Se Van Gogh tivesse sido valorizado em vida (e olha que nem tinha TV pra se apelar como "arte"), certamente ele não entraria em depressão, não acabaria na bebida, sem mulher e com uma orelha na mão.

Se Hitler tivesse alcançado o que ele sempre almejou, e conseguido virar pintor de sucesso e ator; mesma forma que Goebbels, se tivesse virado o escritor roteirista que ele tanto almejava, quantas mortes teriam sido evitadas? E mais, quantas obras famosas e valorizadas teriam sido mantidas, quantos filmes Fritz Lang teria ainda feito, mantendo por mais algumas levas o saudoso expressionismo alemão? A Segunda Guerra foi, sem dúvida, uma revolta contra a arte de subúrbio e contra aqueles que são capazes de se manter de arte, mesmo que isso signifique se manter mal, dentro da Alemanha.

Podemos seguir adentrando em situações econômicas conflituosas...

Se Reagan tivesse sido um bom ator, ou tivesse sido reconhecido como tal (o que não é difícil em Hollywood), não teríamos o escândalo Watergate, nem o caos que isso teve por conseqüência no mundo.

Se o Clinton fosse valorizado por seu Sax antes da presidência (afinal, ele era bem bonzinho... mas a presidência que o fez um "grande" saxofonista, e ainda alavancou as vendas de saxofones pelos EUA), a Guerra Fria não teria tamanha extensão e força, o Capitalismo seria mais calmo hoje em dia. E mais! Um simples boquete ou uma traição não sairia em voga como uma agressão à moral e aos bons costumes. Afinal, vida de músico não é assim???


Mas não... o tal bichinho da arte deve ser curado com remédios, nunca com a valorização dos casos raros que produzem porque têm um chamariz... não, eles ainda optam por crucificar aqueles que se dedicam a um belo múltiplo, uma valorização de raízes, uma criatividade ilimitada.


Salve a Banheira do Gugu!

Quinta-feira, Maio 03, 2007

Calmaria desnecessária.

Muita coisa andando, e eu ainda me mantendo a deriva.

Ondas altas, e eu apenas boiando, deixando as coisas se acalmarem ainda mais. Quem sabe assim, sou capaz de olhar o horizonte e ver realmente um ponto que eu queira chegar.

Não estou perdida. Só está perdida aquela que sabe onde deve ir ou estar, e não só não sei como não sei se quero saber.

É melhor ficar assim, boiando... obviamente a auto-crítica me come por completa, mas nada tão belo como um ser deteriorado por dentro fazer de conta que nada o abate... apenas subindo e descendo em ondas.

Todos os dias antes de dormir vejo Hécate, e sempre tenho um milhão de coisas a agradecer... mesmo assim o vão do nada sempre assola. A frustração de depender dos outros, de um ser a deriva ainda depender de tábuas de navios alheios, tendo a certeza de que suas mãos seriam mais eficazes (mas, como de costume, contradizendo-se, pois a estafa não permite que mãos já enrugadas nadem com a gana necessária).

E cá estou eu, nesse mar sem fim, impotente diante de Poseidon, Zéfiro... do próprio céu. Impotente perante o mundo...

Apenas a deriva...

Quarta-feira, Março 21, 2007

Creio que brasileiro é tão burro que acredita piamente que os outros brasileiros são mais burros que ele.

Tem de ser isso... certas coisas não funcionam junto. É como juntar Playmobil com Lego e War. Não faz sentido. Entre cada um deles, fica um vão... uma lacuna...

E o que seriam as lacunas sociais do dia a dia? Do cotidiano? Da cidade? Do país?

Eu não sei. Sim, eu sou muito burra. Mas não a ponto de não detectar uma lacuna escancarada num relato ou numa ação.

Talvez isso seja apenas uma forma de se justificar a si mesmo: inventa-se uma situação que cai como uma caixa em cima da cabeça, mas não se consegue sair da caixa. Ou melhor ainda: é um argumento para garantir a si mesmo que se é o melhor brasileiro, o inteligente, o que passa os outros pra trás e ninguém nota. O que nunca tem de pagar por seus atos errados ou pecaminosos. O que não é cobrado por suas atitudes.
Ou seja, o brasileiro sem educação.

Até relativamente pouco tempo atrás, eu ligava possibilidade de cultura a uma questão financeira, bem como bom porte em situações públicas. Como afirmei antes, eu sou burra.

Uma pessoa possibilitar-se cultura é diretamente ligado ao respeito que essa pessoa tem ao próximo e ao trabalho alheio. O poder de valorização de qualquer coisa que saia além de seu umbigo, hoje, de tão raro, já é uma forma de cultura. De culturar-se.

Se não há esse passo a passo, cria-se a bela lacuna, onde pessoas que buscam essa linha cultural percebem, mas eu realmente não sei o porquê de não expressar avidamente a percepção. Afinal, pessoas têm o dom de culturar-se, lacunar-se ou desaculturar outros. Deixar essas pessoas livres e impunes é um crime social. Uma miléstia indefinível.



Aos tantos que me lêem, aos poucos que me postam, aos quase nulos que me entendem, só posso concluir o pensamento afirmando ter achado por muito tempo que sim, mas a resposta é não.
PS: Agora transformei em "aos nenhuns que me entenderam..."

Quinta-feira, Março 01, 2007

O quanto vale apostar?
(nada a ver com o tópico anterior)
Quem planta, colhe?
Tudo vai dar certo no final???
Nada a declarar... certas coisas são muito incoerentes pra me fazer cogitar que alguma coisa é certa ou errado... nem sei mais se isso existe...
Bom humor, por mais que duvidem...
Excelente humor, na verdade...

Domingo, Fevereiro 25, 2007

Pensamentos de uma fêmea no cio:

Me é comum apostar as fichas em apenas um número. Isso me coloca no jogo, mas me tira da capacidade de boa jogadora. Não sei jogar.
Mas volta e meia, chovem baralhos. Alguns marcados, alguns velhos, alguns já usados demais. Fichas na mesa, quanto passa a ser alto de apostar? E por que apenas um número, se o jogo é aberto?
Não gosto de limites em apostas, mas sigo um limite pessoal. Acho que dá a impressão de liberdade, por mais que eu tenha esse auto-controle do qual não me despeço.
E quando um número está decidido, posso perder, mas não abro mão de que seja esse. As vezes se ganha, as vezes se perde. Mas ampliar as possibilidades de ganho me parece irreal. Eu diria até incongruente a minha forma de ver o jogo.
Me frustra a falta de regras internas. Talvez o Cassino devesse fechar pra balanço, e determinar como funciona cada tipo de jogo. Não sei ao certo... mas o ideal não é simplificar _ até porque o bom do jogo é o risco! Creio que o ideal é não roubar! Jogo roubado é falta de integridade, e hoje as pessoas não aceitam mais perder ou arriscar sem a certeza.
Não sei...

Mas se tudo fosse tão certo, Las Vegas não teria um bairro de prostituição ao lado dos cassinos...

Sábado, Fevereiro 24, 2007

E mais um mês se findando, mais reboliços se aperfeiçoando, mais mundo girando e mais tédio pegando.

Sei que vou parecer redundante, mas odeio essas novas gerações e o caminho pelo qual está levando Porto Alegre.
Não sei se é aquele velho esquema de idealizar o passado e alterá-lo para parecer tão melhor, ou se é a velha coisa de lembrar como via outras épocas da vida (que, sem nenhuma responsabilidade, padrão, coerencia ou noção, tudo parece melhor sempre!).

O Alan reclama que eu gasto demais. Que quando saio, eu gasto demais. Que quando bebo, gasto demais. Que quando compro... bem, eu gasto demais!

Agora vendo, vejo a possibilidade das coisas serem assim é a questão de sair dos limites que hoje, mulher feita (ou faz de conta que), vivida e quase séria, acabei por colocar-me numa caixa (de acrílico, ultra fashion, mas uma caixa) de vida. A tão temida rotina que não se estabiliza, e que só quando a teoria de virar uma mulher se concretizar que ela vai se acentar.
Muitos me acham sem limites, incoerente, incongruente... não, nada disso. Na verdade, sou extremamente calculista, mas meio extravasada desde sempre. Sempre fui boa em matemática, mas a minha visão nunca foi pelo óbvio, então, nesse caso, para muitas pessoas, sim, 2+2=5 se tratando de Kika.

Não sei se é Porto Alegre. Não sei se é a idade. Não sei se é a internet. Mas hoje as pessoas estão mais sozinhas, e só confiam em pessoas que são apresentadas_ mesmo que por pessoas chatas, mentirosas ou problemáticas. Isso, pra mim, chega a ser uma auto-sabotagem, pois outrora houve o teste, e as pessoas ficavam amigas por ambas quererem chicletes, ou ambas estarem sozinhas em um show, ou ambas terem se visto tanto que um dia se deram oi e a amizade fluiu! Eu ainda tenho amigos que conheci assim.

Talvez seja esse o bonito do passado: lembrar-se dele envolto em flores. Muitos sabem que tenho um passado tumultuado, que me manteve medos até pouco tempo atrás, mas ele agora me trás apenas flores de memória. Mesmo rico em sordidez, riscos (sim, eu ainda não sei como sobrevivi a minha adolescência) e decisões intomadas, aquele tempo era bem melhor que o atual.

Mas não sei ao certo... aqui fala Kika ou seu Complexo de Peter Pan???

Quinta-feira, Fevereiro 01, 2007

O tempo passa...

Mal pensei isso e o ano já entrava...
Mal notei a entrada de ano, já acaba-se o primeiro mês.

E o tempo passa...


Sabe? Talvez eu devesse mudar. Mas não consigo. Essa maldita incapacidade de mudar as coisas as quais me orgulho ainda há de me matar.

Talvez me orgulhar de um ponto de vista existencial seja uma virtude... ou uma falha (daquelas fatais).

Ainda acho que amizade se mede por detalhes, não por coisas significativas... afinal, se alguém te desdenha em coisas insignificantes, por que não te desdenharia por coisas significativas?
Estimular situações de "beco" é desnecessário, e agir não é tão agressivo quanto criar a situação. Pintar o cabelo é desnecessário quando um amigo passa fome. Tentar se mostrar superior_ nem entrando nos méritos de ser ou não ser_ se vulgarizando para provar que tem quem ou o que quer... desnecessário.

Também acho que aí entra o libertarismo... excluir aquilo que não te faz bem, e ignorar todo e qualquer padrão que seja imposto por outros, que não tu mesmo... sim, eu acredito na sociedade alternativa.

Bem... a quantidade de "talvez" que eu posso encontrar em qualquer espaço da minha mente mostra duas coisas:

1) dúvidas, inseguranças, incertezas... receios em geral. Um caos.
2) dúvidas, inseguranças, incertezas... receios em geral, que, caso não existissem, eu me banalizaria em uma seqüência besta, sem objetivos ou metas.

E isso eu posso dizer: Existem objetivos, e esboços de caminhos. O lápis é ralo, a borracha borra, mas o croqui tá ali!

E, aos que amo, é isso que desejo: assumam as lapiseiras da vida, e esbocem um futuro brilhante em 2007, pois todos que têm virtudes são capazes de estruturar uma linda pintura.

Segunda-feira, Novembro 06, 2006

Andei pensando estar tentando reviver minha infância... os amores de outrora (de antes da sina traumatizante que toda mulher que se preza tem em seu histórico), as lutas de outrora, as ganas, as possibilidades, as ansiedades...

Não, eu não estava!

Na verdade, é outra fase que está dominando a população.
E desta vez não me refiro necessariamente a um grupo pequeno, de amigos ou conhecidos.

É uma onda nacional!!! Talvez possa dizer até MUNDIAL!!!

Veja bem: essa onda de anos 80, em roupas, festa... hoje se é possível ligar a TV e ver a Fátima Bernardes, a Glória Maria e a Ana Maria Braga de ombreiras ou ombros de fora... Erasure e New Order tocam na MTV, e tão tentando colocar novamente B-52´s (que eles, ironicamente, apresentam e dizem não ter nada a ver com B5)...

E diziam que essa onda ia durar no máximo 1 ano. O problema é que está no terceiro, crescendo sem ninguém reclamar. E como eu disse antes, os remendos em ombro ou uma fase Madonna Like a Virgin são cada vez mais comum!

... SIM, isso é uma volta ao passado CLARA, e certamente desperta um pesar naqueles que viveram, e estes, por sua vez, induzem esse ciclo enfadonho, cultural e social.


Satisfeita por me notar não tão absurda e ridiculamente patética, me pus a pensar no porquê de coisas assim estarem acontecendo... Não, Kool & The Gang não deveria tocar em festinhas de 15 anos atuais!

E qual a verdade única e absoluta com a qual me deparo?

Um fato que eu já havia comentado com algumas pessoas, mas que hoje mostra-se muito mais destacado e real. É hora de colher os frutos do lixo plantado, não???

Veja bem: estamos no meio de uma juventude que perdeu o motivo. Os caras-pintadas (que eu por tantas vezes me lamentei de não ter sido, de não ter ido nas passeatas e tal) tornaram-se passivos que pensam que já fizeram mais do que deviam pelo país, e a juventude fruto da Carla Perez e do Programa Fantasia, cada vez mais, desdenha a sua capacidade e seus sonhos, criando uma juventude de passivos-agressivos capitalistas.
O cinema, o teatro e toda a boa cultura subversiva morreu junto do underground; o experimentalismo limita o público, e não traz retorno financeiro (e igualmente, a população gosta cada vez menos de pensar. Como trazer para si um filme abstrato se não quer pessoalizá-lo?).

Hoje se liga a TV em qualquer canal (porque, sim, a TV ainda é o meio das massas, e as massas movem todo o tipo de pensamento e criação) e se vê a mesma coisa. Só muda o nome. Ou alguém vai me dizer que NX Zero, COM 22 e Detonautas são diferentes? Ou Simple Plan? E... é impressão minha, ou os nomes têm algumas semelhanças???
Simultaneamente, posso garantir que Tolstoi e Dostoievski são cada vez menos vendidos. Wilde talvez já tenha entrado pro mundo gótico ou EMO, pela amizade com Byron ou por ser gay... mas aqueles que pensam, não vendem.

Sim... pensar faz mal... então por que não aproveitar a criatividade daqueles que já morreram de overdose no Studio 54 e se divertir sem se dar trabalho? Afinal... pensar gasta muito menos calorias que abdominais, e os frascos vazios têm de ser lindos... não é isso?


... e será que foi sempre assim???

Quinta-feira, Outubro 05, 2006

Há um questionamento sobre Deus ser mulher... impossível!

Por um certo tempo, acreditei ser possível; detalhes tão minúsculos e tão importantes num todo são aquelas coisas tipicamente femininas (e não; nem lésbicas desenvolvem tamanha frescura se não passarem um período longo femininíssimo), mas Deus é homem.

Sempre reclamei de machismos e coisas assim (mas feminismo me irrita plenamente, também), mas o mundo é machista por uma tendência eterna. Não existe feminismo que não induzido, aquele sentenciado por uma cultura que tenta ser vanguardista ou qualquer coisa assim. As próprias Amazonas só se consolidaram (e ficaram famosinhas) por essa mentalidade, e se não tivessem imposto isso, as gerações de suas filhas seriam machistas, como todo o povo da época.

Podemos ver que não exitem Joanas-de-Barro, e que o João-de-Barro tranca a esposa para a morte logo depois dela chocar os ovos; alguns dizem ser ciúmes ou possessividade, mnas não vou entrar nesses méritos, pois não o sei e não o afirmo.

As leoas caçam e mantém o grupo em locais estratégicos ( perto de rios e de locais melhores para a caça), e passam o tempo livre a dar pro leão, cuja função é unicamente essa: reproduzir. Ele come cinqüenta leoas por dia, e a prole segue o mesmo instinto. O único dever do leão é derrotar aqueles que tentam tomar seu lugar... também... quem não defenderia um posto desses?

Acredito piamente no instinto animal, e sei que algum engraçadinho vai fazer o comentário da viúva negra ou da Louva-Deus... e possivelmente está certo! Mas vejam só... se animais tão menores sentem-se subjugados e têm de livrar-se do parceiro (novamente, não vou entrar nas teorias a respeito), certamente é porque olham em volta e vêem o que acontece com quem não o faz!

Essa coisa de esquentar a pança no fogão e esfriar na pia ainda é uma mentalidade forte, e certamente é instintiva! Assim como atrapalhar projetos apenas por uma força peniana mais forte que o próprio cérebro... OK, não tenho um pênis (ainda! Afinal, nunca se sabe... um dia... ), mas deve ser a coisa mais medíocre ter um cérebro que perde para ele...

... nunca vi uma mulher perder para um clitóris ou seus orgasmos múltiplos... e olha que mulher fútil e vã tem aos montes... e olha só... aquelas que estão dispostas a caçar e cuidar da prole apenas por ser comida também...

E ainda justificando tudo, acho tudo tão patético e vergonhoso... nessas horas queria ser uma Joana de Barro...

Terça-feira, Setembro 12, 2006

Tem uma lista de coisas que me confundem... me perco se as coisas são boas, ótimas, péssimas, ruins ou indiferentes...

Sabe? Cada vez mais m apavoro com a forma como as coisas seguem. Não sei se assumo que sou redundante ou apenas se atiro pro céu deixo por conta do destino.

Sejamos mais específicos: tenho medo da forma como as minhas relações, de diversas formas, estão evoluindo. Vejo minhas amizades me frustrarem ou se tornarem muito sólidas, o que me leva ao meu passado que sempre se sentenciou em merda nesse aspecto (e se tratando de pesoas que eu amo a chegar nesse ponto, o medo sobe!!!). Vejo pessoas que não conheço aparecrem apenas para queimar o meu filme, sem mais nem menos (e sim, isso acho bom. Mostra como as pessoas com quem meu filme é queimado não me conhecem ou não confiam).

Não suficiente, pessoas do passado. Muitas! Amigas antigas, conhecidos antigos, velhos amores... isso me incomoda no momento em que parece que estou repetindo ciclos, mas me acalma e acolhe quando noto que a amizade não morreu.



Mas estou faceando meus medos. Estou encarando os receios e buscando novas rotas. Mas está decidido tem um tempo, mas não expus: não vou mais me esforçar pra me apreciarem. Apenas vou ser eu mesma...

... a pateta e bobona de sempre, que leva a vida em reticências...

Segunda-feira, Agosto 07, 2006

Mandei mil balas
E mariolas
Roubei as flores todas do jardim


Eu faço tudo
Na minha escola
Pra ver se ela gosta de mim...


Dim dim dim...
Raio de Lua...


Oh lua...
Me da um namorado
Um príncipe encantado
Que goste so se mim...

Quando toca o despertador
De manhãzinha
Me levanto e vou me arrumar
E vejo a felicidade do espelho
Sorrindo
Claro que vou te encontrar...

Colo teu desenho no meu
Pra ver se cola

Sexta-feira, Julho 28, 2006

Todos os Poemas contém Lobos
Menos Um
Ela dança num Anel de Fogo
E se Livra do Desafio

Domingo, Julho 09, 2006

Que coisa interessante... meu diário finalmente está acabando (a data inicial é dia 24 de dezembro de 1999), e é tanta movientação que parece parada...
Encontrei hoje outros diários passados. Nenhum chegou até o fim. Os posts? Bem movimentados, mas sem nenhuma ação.

Talvez seja redundante. Talvez seja destrutivo. Não sei ao certo, mas sei que são inúmeras as coisas que sempre parecem ser alguma coisa no momento em que acontecem, mas sempre se findam no nada. Não são nada, e possivelmente nunca foram. Na verdade, talvez a inovação de rotina as transformem em alguma coisa... momentaneamente.

Não sei ao certo.
Talvez eu seja uma medrosa, temendo subexistir. Talvez eu seja uma neurótica com receio de pensar. Talvez eu seja uma superprecavida, com medo de viver.

Como disse, não sei ao certo. Certamente, o certo é relativo, mas realmente não sei como funciona o meu relativo nessa hora.

A verdade não mais é estabelecida. Enxergo por olhos de ácido.

Segunda-feira, Junho 19, 2006

Os famosos anões, criaturas mitológicas, permanecem até hoje escondidos; como Titãs, que se confinavam em cavernas gigantescas e escuras e só saíam para por em prática seus planos e/ou afazeres.
Mas... onde seria os confins que os anões usam como esconderijo? Oras, essa é simples! O Acre!
Sim, o Acre! O estado mítico do país. Ninguém realmente nunca ouviu falar de alguém que more no Acre, ou sonhe conhecer o Acre. Ou mesmo que a empresa o enviou ao Acre resolver algum problema. Nunca houve uma transferência para o Acre em tota a história do estado. Sabe por que? Porque lá só tem pilhas de Guarda-Chuvas. Como assim, guarda-chuvas?
Certamente há de ter um depósito nacional de guarda-chuvas (DNG-C?), pois todo mundo perde guarda-chuvas. Ao mesmo tempo, é raríssimo alguém encontrar um guarda-chuva, salvo algumas excessões! Parece que seres minúsculos roubam todos, sem deixar vestígios. Mas, que assim como duendes e lepperchauns, deixam sempre um "pagamento" por seu roubo.
E por que não uma caneta Bic? Aquela que ninguém imagina como a "fábrica" existe? ( Por falar nisso, alguém ja viu ou ouviu falar numa fábrica de Bics???) Afinal, caneta Bic não se compra; se encontra. E se encontra a granel! Quem nunca comprou uma Bic tem, em média, 50 destas espalhadas pela casa. Mas tudo isso tem um sentido muito lógico:
Contrariando todas as teorias populares, como as de que anões são alucinações coletivas (que se embasava em ninguém nunca ter visto enterro de anão, anão em parada de ônibus ou uma anã grávida), confirmo que eles existem. Existem e moram no Acre. Todos os finais de tarde, eles saem pelo mundo em busca de guarda-chuvas, que eles acumulam em seu canto desordenado e usam-nos no que, na verdade, é uma fábrica de canetas Bic.



... sim, outro mistério nacional desvendado no Blog que tenta seguir a linha inicial...

Segunda-feira, Junho 12, 2006

Era uma vez uma menina
Ela morava numa casiunha de pão doce e balas
Ela estava sempre dormindo...
Um belo dia
Ela acordou
E viu que as balas estavam todas mofadas!
... Foi então que ela saiu correndo...
E notou que estava perdida

Domingo, Abril 09, 2006

Sempre me disseram que travar batalhas era bonito e necessário. Sempre acreditei nisso, e creio que inúmeras das batalhas que me arrisquei a tomar foram por impulsos e desnecessárias. O simples prazer de ter uma luta que lave minha alma já é um pagamento de bom tamanho. (Claro, costumo trabalhar de graça...)
Na verdade, creio que grande parte das batalhas que adentrei foram simplesmente pelo bem alheio. O que fazer? Não consigo dedicar minha alma a mim mesma, sem ter outras pessoas sendo influenciadas pelas minhas ações.
Mas desistir de uma batalha, como deve soar? Uma perda? Ou melhor ainda: como se decide abandonar uma causa?
... Fazia dias que não dormia, e fazia meses que eu sabia da necessidade do sono em dia, que ele logo me faria falta. Eu sabia que logo chegaria o momento do não dormir e do inventar historinhas e dramas para tentar ocupar a mente e, assim, talvez tornar viável dormir alguns momentos, ignorando os reais problemas.
Foi quando as coisas mudaram de figura. Aceitei passar por carrasca, apenas por saber o que era o meu certo, e postei-me indiferente à incompreensão alheia. Eu sempre soube o quão necessária é minha ação quando quero algo bem feito, principalmente tratando-se de assuntos familiares.
Hoje sei que sou desnecessária. Não por ser inútil, mas simplesmente sou fácil demais, principalmente quando sou difícil.
Travar uma batalha mostra claramente que tem dois lados, e para uma batalha ser ganha com plenitude, é necessário que haja estratégia e lógica, fora a minha ambição do existir: o coletivo. A partir do momento em que passamos a nos armar, mesmo quando ninguém matou o maldito príncipe ainda, há o ideal.
O ideal não morreu. Nossa, seria muito fácil viver se meus ideais morressem. Mas como disse antes, luto pelos outros, e sou um ótimo escudo humano! É fácil bater na comissão de frente, é pra isso que ela está lá! (Sim, meu lado kamikase anda aflorando)
Mas... e quando o rei, o defendido, aquele por quem se bate a luva no rosto, simplesmete diz que não pode fazer nada? Quando ele se posta dizendo que a tua tarefa é necessária, apenas para ele não ter de tomar pose e mostrar a espada?
Sim, a guerra acabou.
Redefini meus conceitos em 15 minutos, e notei que nenhum rei que não quer aprender merece que lutem por ele. Na verdade, esse rei não merece ter uma luva para disputar com ninguém! A partir do momento em que as pessoas desistem de crescer, elas não valem mais. A alma acabou. O amor acabou. E isso não é drama: é apenas uma das verdades tão obtusas do caso. Quando uma pessoa tão capaz desiste de si mesma, e decide que o errado não merece ser contestado, a estrada sinuosa fica reta, e os caminhos alternativos se mostram muito mais sedutores.
Essa noite eu dormi.
E é estranho... o lado de cá está escurecendo...

Quinta-feira, Março 23, 2006

Era um dia ensolarado no paraíso dos amores platônicos. Almas brilhavam, indiferentes a reciprocidade; apenas felizes por ver que sua tão amada brilhava também.

Amanda acorda. Toma banho, lava o rosto. Não sorria. Aquilo que outrora funcionou, não funcionava mais. Sua realidade mudara, pois ela fazia o possível para mudar um pouco a cada dia. Quem sabe, desta forma, ela superasse seu medo de sentir. Quem sabe, desta forma, ela superasse seu passado.
Ela tentava necontrar novamente o paraíso. Seu paraíso chovia uma chuva gelada, e córregos de lama se faziam nas alamedas, antes tão iluminadas e sorridentes.
Ela não sabia mais o que esperar.

Certa vez ela notou como as coisas não funcionavam, e o destino casualmente tomou as rédeas e deu uma nova propulsão à sua vida. Ela sempre fora muito ingênua, por mais que muitos a vissem exatamente pelo oposto disso, e não sabia coordenar as coisas que lhe aconteciam.
Nunca precisou encarar uma avaliação, nunca precisou tomar uma atitude. Um problema? Com certeza! Sua insegurança referia-se, sempre, ao auto-analise, bem como a aprovação externa.

Mas como eu falava, Amanda fez um plano. E nesse plano, ela não fez nada. Nem mexeu o dedo. E foi aí que o destino resolveu se meter, e transformou todos os seus sonhos de encanto em realidade. Ela foi perdendo o medo, e se viu em uma situação real.

Mas como poderia ser real algo que ela não soube construir?

Novamente, pessoas e pessoas rodeavam Amanda, e ela, que sempre receou não saber sentir, viu-se em situações inusitadas, que abriram caminhos em sua vida a uma vitória.

Mas, novamente, como vencer sem lutar?

Não existe como. Foi quando ela se deu conta disso que seu mundo acabou. Nem o faz de conta, nem a realidade. Nada mais fazia sentido.

Quarta-feira, Março 15, 2006

Devia um post descente, creio eu... e num dia em que novas confusões me atormentam, e pensamentos passam a ser desnecessários mediante tantas coisas absurdas que têm acontecido...
Vamos de início.
Estava pensando em Cícero... o Saber Envelhecer, seguido de A Amizade, pra ser sincera. Até porque isso sempre é uma coisa que me exige pensamentos, por mais que todos me digam que não se precisa gastar energia com isso. Minha necessidade de reciprocidade é meio doentia, e são tão poucas coisas que barram uma fluencia, e na verdade, as mínimas são as mais significativas. (Até pensei um pouco nisso, e notei que é porque grandes coisas podem ser um equívoco ou impulso, e as pequenas apenas desconsideração já define).
Acho totalmente importante o conhecer, bem como o respeito e a lógica. Se tu é capaz de se desfazer dos teus padrões para assumir um meio termo por um amigo, eis a amizade.
Hoje é um excelente dia, pois notei um grande passo dado ontem. Ao mesmo tempo, um triste dia, pois o strike dois foi dado a um amigo, bem como o limite chegou ao cume na minha pseudo amizade familiar.
Pra mim isso é muito triste, e quase desestruturador, pois me considerava numa fase de ouro (por mais goiaba que essa pudesse ter), mesmo com seus defeitos, e hoje noto o quão mesquinho o mundo pode ser.
Todos, creio eu, sabem que me sinto extremamente mal por não poder fazer nada pelo mundo. Que me sinto vazia e fútil com uma sociedade sobre pilares tão absurdos, e que estou atada. Fazer o que, se sou uma socialista cultural, bem como Wilde...
Acredito no apoio moral, bem como no bom senso de se lutar por aquilo que se acredita, e não estou disposta a relembrar pessoas daquilo que elas acreditam, ou dizem acreditar. Na verdade, muitas vezes o não apoio me soa como inveja ou qualquer coisa assim, quando este vai contra antigas palavras.
Não suficiente, a lógica deteriorada e megalomaníaca também perturba. Na verdade, exigir feitos solitários (OK, mínimos) quando não se consegue pensar num grupo, e assim só busca as coisas que satisfaçam o seu pensamento hipócrita, infantil e megalomaníaco, nunca vendo um bem maior. Ou seja, seria necessário que se deixasse de fazer coisas de grupo para fazer coisas solitárias, e justo a pessoa que sucumbe aos prazeres do grupo (sem ajudar em nada, a não ser com o mínimo dos mínimos, argumentando ser a sua parte_ e ignorando toda a produção que tem por trás daquele produto) é capaz de despejar toda e qualquer culpa, apenas por buscar a frustração alheia, creio eu.
Não suficiente, fui contar à pessoa que acreditava ser quem eu mais quisesse que pe parabenizasse pelas minhas novas conquistas, e me dei conta de que não é mais. E que não é a tanto tempo, por mais que eu quisesse que esta pessoa assumisse esse papel a tanto custo. Mas não... O yey devia ter vindo de outra pessoa. E só hoje me dei conta disso, por mais que suspeitasse. E isso se chama comodidade, creio eu! Nesse caso, se chama! Porque o caso é meu!!! Hahahaha
Bem, como no texto, estou confusa e nem um pouco afim de dar nomes a nada. Por sorte, amigos ainda existem, e sorriem de saber que uma conquista desse tamanho é importante tanto para mim, quanto pelo ideal expansivo e libertário que está se assumindo.
... E definitivamente é muito legal se conquistar alguma coisa, quando as mãos estão arenosas e sem conseguir segurar nada...
E talvez seja de tanto sorrir para o mundo, mas ele passa a sorrir em retorno...

Terça-feira, Março 14, 2006

É nessas horas que lembro daquela música meiga da Marisa Monte... ¨Eu falo muito bem, eu minto¨... novamente meus planos de Ano Novo foram por água abaixo, e não sei como evitar isso! Auto-sabotagem total!
Realmente eu não consigo me soltar nem me livrar do passado e daquilo tudo que me trava, e que certamente, se eu conseguisse deixar andar, me transformaria numa pessoa bem melhor. Ou, pelo menos, mais feliz.
E sei o que que é isso. Uma fase Peeping Tom... muito medo cair, logo não se sobe!

OK, ninguém tem idéia do que que eu estou falando! Nem precisa. As coisas tão movendo, mas não sei pra onde (como sempre), mas chegou a hora de encarar.

Quarta-feira, Fevereiro 22, 2006

Aproveitar esse belo momento em que a nova versão de Dofus é baixada (sim, é uma vergonha, mas uma adicção!) e refletir sobre a minha vida.
Vida? Será esse o devido nome? Não consigo ver a minha existência como vida. Na verdade, torço para existir, que já está de bom tamanho.
Essa semana passei muito tempo remexendo em lembranças do passado. Encontrei cartas de quando eu tinha 12 anos. Encontrei a primeira (e única) carta que escrevi para o meu pai, e não me lembro se tive coragem de entregar. Cartas de amor eterno do psicopata, com um poema mal feito e recortes de revista. Meu Deus! Que coisa gay!
Foi bem complicado. Cartas de amizade eterna de pessoas que hoje vejo que nunca foram minhas amigas. Piadas proféticas, ironias do destino... tinha de tudo. Ficou rodando na minha cabeça aquela música do Paralamas, que ironicamente também era trilha de Vamp.
Eu hoje joguei tanta coisa fora
Vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias, gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
Eu tenho sérias dificuldades com o passado. Não me arrependo nem me orgulho, mas sinto falta! Mas a contradição mora na certeza de não querer que ninguém passe pelas mesmas coisas! Na verdade, noto como me irrita ver gente cometendo os mesmos erros que eu depois que eu já me indignei muito com a pessoa!
Não tenho orgulho de quem eu sou hoje. A soma das ações leva ao crescimento, e eu sei que eu poderia ser bem melhor. Na verdade, fico feliz de ter atingido uns 50% da idealização que eu tinha de mim mesma aos 15 anos. Mas os 50% que faltam são certamente devido a essas coisas de passado.
O Alan certa vez me disse que eu vivia no passado, e isso é pura verdade. Claro q no momento que ele me disse eu fiquei indignada, e fui até perguntar se isso tinha sido ele quem tinha escrito ou a Pesadelo, mas ele me confirmou ter sido isso. Concordo, mas não com o momento q ele falou.
Provavelmente isso tem criado os atritos que tenho com o Dani, pois ele tem aquela coisa de tentar seguir os passos, e eu acho tão estúpido alguém querer seguir a sina de erros que perpetuou por anos a minha vida... bem como não aceito que, depois desses erros, minhas soluções tomadas como "definitivas", e que se mostraram inférteis, certamente ainda são imutáveis por causa dessa postura saudosista do meu subconciente-conciente!
Mas uma coisa continua me martelando... onde estão as cartas, de qualquer gênero? E-mail é tão frio, e o calor pessoal é tão importante...
... Sim! A resposta é sim. Ainda acredito na incondicionalidade.

Terça-feira, Janeiro 17, 2006

O ano começou ja tem um tempo... eu não! Eu continuo redundantemente adolescente tardia, que ainda não deixou o que já devia ter morrido há tempos morrer.

Na verdade, também não deixo coisas que deviam andar andarem, então o drama é ainda mais complexo.

Talvez seja hora de esuecer de se divertir, esquecer de brincar e virar uma adulta como manda o figurino...
... mas meu figurino ainda é uma flor em cima de um palco, se exibindo para uma platéia surreal.

É tão estranho isso... inúmeras coisas que me incomodam em mim mesma; mas nada que eu mudaria no momento. Talvez a isso se dê o nome de preguiça (e com esse calor, tudo deveria ter esse nome), mas eu sei que não é. Muito menos conformismo!

Por que precisaria ter um nome pejorativo a sensação de bem estar?

OK, OK... porque eu sempre fui uma chata que exige mais e mais até virar uma tortura ambulante; uma chata que não consegue encarar o mínimo como suficiente, mas que ao mesmo tempo deixa as coisas seguirem seu curso.

Pois bem. Ano novo, vida nova não existe! É mais uma mentira da Globo pra cima da gente! Esse ano espero, honestamente, ter capacidade, força e sobriedade para deixar as coisas seguirem seus cursos naturais. E se tudo der certo, não vou travar o destino e, quem sabe, encontrar o meu!

Quarta-feira, Dezembro 28, 2005

E mais um ano que se finda...
É meio estranho... 2005 tinha tudo para ser bem virtuoso, mas não. Na verdade, foi um dos piores anos que eu poderia esperar. Mas não vou me lamentar, não vou reclamar; afinal, 2006 tá chegando aí, e quero fazer uma coisa rara: manter o saudosismo que existe em mim aceso. Já faz quase 48 hs que não tenho uma crise histérica ou saudosista; poss me dar esse direito.
Não sei o que espero desse ano que chega, mas sei que toda a mentira que eu posso me aplicar ultimamente, eu faço. As bases vindas desse lixo que se acaba não são necessariamente sólidas, e apesar de não ter sido um ano complexo, foi um ano arrastado.
Tenho medo de, talvez, não ter assimilado com coerencia as coisas que aconteceram, e de, novamente, insistir no mesmo lixo pelo qual passei.
OK, esse existencialismo estúpido me segue a minha vida inteira (seria isso existencialismo?), e não sei me livrar dele. Um pessimismo que persegue, e que chega a ser quase melancólico. Mas uma coisa é certa: é um sentimento deplorável, mas que faz eu me sentir menos perdedora sempre que me desvencilio de fazer um erro já cometido no passado.
Mas 2006 taí, batendo na porta, e todos os pedidos me são fúteis nessa hora.
Li esses tempos que um suicida que se atira de um prédio, quando atinge 2/3 do caminho pulado, se dá conta de que nenhum dos seus problemas é crítico como pensava, que todos têm solução, menos um: ele tinha acabado de saltar de um prédio.
E acho que é bem isso... tudo tem solução; ou nada, porque certamente grande parte dos problemas são inventadas por nós mesmos. E eu sei, por certo, que é muito mais fácil se preocupar com lixo que inventamos que com coisas reais, que independem de nós.
E é tão simples sentir falta de tudo... de um ano ruim, que pelo menos já passou e não volta... pelo menos a certeza de ter superado mais um (alguém sabe por quantos vai conseguir passar???)... Isso parece muito depressivo, mas não é. Para mim, pelo menos, não é.

... A poesia não está morta, temos o funk...

O que me parece ainda mais imbecil, nisso tudo, é que sou uma daquelas estúpidas de Ano Novo, que tenta fazer todas as mandingas pra que o ano seguinte seja bom. Exijo pular as Sete Ondas todo o ano, oras! O triste é que nunca soube o que pedir, e sempre achei meio hipócrita isso. Abusivo! Então sempre tentei agradecer, mas agradecer o que? Creio nunca ter me acontecido algo milagroso demais a ponto de ter de agradecer! Estar viva? Sadia? Sem doenças venéras? Sã? Não seria isso parte da vida? Talvez se algo disso tivesse acontecido, eu tivesse tomado uma porrada na cara e tivesse, realmente, algo por agradecer.
Planos de Ano Novo... nenhum. Nunca cumpri nennhum, então é mais fácil não programar nada e deixar a vida tomar seu rumo.
Talvez coisas internas, como me tornar acessível. Mas como se faz isso? Me acho tão acessível, mas sei que isso me torna tão distante em alguns parâmetros que distancia. Provavelmente distancia todos aqueles que quero aproximar. Tenho medo de já ter virado uma daquelas tias gordas, amarguradas, cheias de gatos... e o pior: nem tendo sobrinho!
Bem, mas pra quem agüentou até aqui, o que posso dizer?
Que se tenha conforto quando deitar a cabeça num travesseiro; conforto de ter fito a coisa certa, de ter se ajudado ou ajudado alguém, de ter uma pessoa bacana pra confortar o cérebro (sim, ainda adepta do platonicismo) ou o corpo. Uma pessoa que te faça feliz, seja amigo, namorado ou qualquer coisa. E como sei que 2005 foi um dos piores anos para a maioria das pessoas que conheço, que saiba que 2006 tem chances de ser diferente. Não acredito que dependa de nós, mas que possamos favorecer a vida a seguir seu rumo, e que o destino se faça presente nas indecisões.
E não é disso que se trata a vida?

Sábado, Novembro 26, 2005

Eu não queria, mas acontece. Mudanças acontecem.

Não sei mais me adaptar em situações adversas, mas ainda sou capaz de deixar meus pulinhos contagiarem pessoas sérias. Inclusive tenho passado por menina simpática, e todos sabem que não sou muito simpática. Na verdade, sou muito chata, e braba consigo mesma por ter essa idade que definitivamente não tem nada a ver comigo.

Ainda mais com o cabelo novo.
Não tem jeito... mulher é essencialmente o seu cabelo. E agora, ruiva de franjinha, assumi a coisa novata de sempre. Eu precisava mudar, e como mudar de forma mais coerente que começando pelo cabelo? Alguém opina???

Coincidencia? É, pode ser! Mas as novas e novatas faces que surgem vêm do mesmo período. E essa coisa adolescente, que precisa conseguir uma resposta lógica para si, mesmo que seja mentira, choca-se ao extremo com a fase uterina, que é quando a natureza chama e a gente não para de ouvir os gritos.

Incoerente, eu? Não... apenas se sentindo patética aos 24 anos vivendo isso. Esperando mais do que sabe que pode esperar, mas ainda sabendo ver os fatos com olhos maduros, de quem ja tomou todas as patadas do mundo que poderia nesse tempo. Eu espero ainda acreditar na coisa de balança cósmica, mas a cada dia a coisa se torna mais complicada!
... além de ser muito pateta esperar que a luta SEMPRE traga os resultados que a gente quer, mesmo quando se tem a garantia de que isso não nos é o melhor. Isso é meio complexo de Mutley: sempre precisar de medalhas para pendurar numa parede descascada!

São tantas coisas, e tão pouco. Na verdade, a única coisa que não penso é o que deveria estar pensando. Afinal, tantas bobagens encantam muito mais! E lidar com a realidade não é adolescente... nem natural...

Sábado, Novembro 12, 2005

Essa coisa de orgulho me confunde.

É fácil se dizer orgulhoso, e isso hoje é sinônimo de auto preservação (e talvez seja, mesmo!).

Talvez isso que nos mova; não sei. Mas todos os dias tenho a impressão de ser necessário rebater alguma coisa que me ofende, e que certamente não sabem que me ofende, e uso de coisas que para mim, são satisfatórias. Mas, agora vendo... será que o meu padrão de retrucadas é coerente? Será que o que me satisfaz realmente agride alguém?

Não sei. E, honestamente, não quero saber. Odeio essa coisa que me bate de ter de dar tapinhas com luva de pelica na cara das pessoas; como disse anteriormente, fazer o correto virou crime, mas eu ainda devo ser da velha escola.
Talvez essa seja a moral da minha bela contradição geminiana interna: necessitar de vingancinhas banais e ter asco de fazer essas coisas, ao mesmo tempo em que me esforço para manter a velha chama da honestidade humana acordada.

Ah! De brinde, ainda tem a coisa de sonhos e coisas lúdicas em minha volta; Talvez o que sugo de dor e alma das pessoas, ou isso, de encarar como ofensa, seja apenas algo irreal e abstrato, que minha mente surreal interpreta como algo ruim em último grau.

Mas a coisa é simples:
O não estar ali me é significativo; logo, como não sei ser agressiva, fujo.
Seria essa a minha sina com fugas?

Ai, sei la...
To fora de mim hoje...



É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã
não é isso???

Domingo, Novembro 06, 2005

E hoje tudo é pecado.

Mas o pior pecado é o de ser humano. Ainda é.
O funcionalismo dos Dez Mandamentos morreu tem tempos, e cada dia mais é possível se ser criticado por agir pelo bom senso, e pela máxima "não faça aos outros o que não quer que façam pra ti".

É muito absurdo e surreal as coisas estarem assim, e possivelmente assimilarei de forma negativa isso que estou dizendo. Afinal, falo, mas não aceito. E quero que esteja distante da minha verdade isso. Como viver sem acreditar nas pessoas?

Pra mim é inadmissível tanta coisa que tem acontecido... Pessoas criarem histórias apenas para maltratar aqueles que divulgam a verdade, pessoas que aproveitam que uns estão sendo culpados e se escondem em cima disso, assim passando a culpa para os já culpados, roubar o seguro apenas para fazer mais dinheiro em cima de seus lixos _ talvez porque se veja incapaz de conquistar os bens que se quer de forma honesta e real_

Na real que é fácil, né? É fácil não precisar ter palavra, não ser avaliado pela índole, não ter caráter. É fácil usar, mas para onde está tudo convergindo? Fama? Fortuna? Porque felicidade, nesses casos, é relativa: como se é feliz se pisando nos outros?

Ta, é relativo isso. É possível, sim... eu que estou viajando e não aceitando que nessa terra até dinheiro na cueca pode se tornar bonito do dia para a noite.

Talvez esse seja o meu ponto: Não devia ser! As pessoas estão passivas, e aceitando as merdas dos outros, de forma a poderem esconder as suas em outras pessoas!

Pô, talvez essas sejam as minhas inquietações de hoje... ver que é possível não se prestar e ainda se sair bem. Ninguém tem medo da balança cósmica? Putz, eu confio plenamente que ela existe. Espero estar certa, e não disperdiçar a minha vida tentando ser bacaninha e o caminho ideal ter sido "colhe mais do que tudo, não importa a videira que tu fores"...

OK, alguém entendeu? Alguém se perdeu? É esse o caminho...

Terça-feira, Outubro 25, 2005

Acho que ando imbecil, ainda acredito na arte. Acredito no amor e no respeito também. Estaria eu, realmente, virando hippie???
Tô simplesmente de saco cheio da humanidade, e não encontro lógica nas ações alheias. Não que eu tenha lógica, que acredito que ninguém entenda a minha lógica (por mais óbvia que ela seja para mim), mas a forma como as pessoas têm se estruturado quanto a arte em geral me incomoda, e as linhas linhas de ações vêm, no mínimo, sendo obtusas.
Muito cansada, e sendo consumida. Minha alma cantante anda quieta, creio eu, e esse texto, realmente, torna-se aquelas chateações de blogs.

Mas é exagerada a forma como estão se dedicando às coisas... todos são donos da verdade, e desconhecem ela! O leque de opções que se abre para todos está sendo esquecido, aprenas por vícios cotidianos e mesmices, onde não querem sair da certeza tão incerta que têm. Não precisam saber do mundo, e sim, do universo umbigo.
Mas eu sempre comento com algumas amigas. Os meus preferidos são os que se rotulam de vanguardistas. Os que são capazes de destruir tudo aquilo que não sabem montar, apenas para se dizerem avançados. Que se julgam superiores por arranjarem respeito de tão poucos apenas fazendo isso, mas simultaneamente sobrepondo-se às pessoas que buscam pilares e à velha escola.
O que é isso? Pessoas ignorando trocas intelectuais; pessoas numa faculdade de filosofia pedindo para serem menos obtusos e apenas os ensinarem a filosofar; pessoas ignorando opiniões porque as suas são as únicas que prestam, quando mudam de opinião a cada segundo, sem avisar; Cadê a beleza de um nascer do sol, que nasce todo dia e mesmo assim é tocante e inovador? E a lua? Onde está a tão bela Hécate, que não ilumina mais o olhar das pessoas?
A linha é tão tênue entre arte e merda, que todo mundo tem feito arte. Até tem uns que me dizem que arte é tudo aquilo que se faz com as mãos...
Pois bem... acho que vou fazer meju sanduíche artisticamente, me limpar no banheiro de forma quase parnasiana e me lamentar desse cubismo de amendoim que habita o cérebro das pessoas ultimamente... e não tiro o meu da jogada!

Quinta-feira, Setembro 29, 2005

Quanto a Incondicionalidade...

O que determina um amor incondicional? Seria não ter padrão, lama e céu?
Nada.
Apenas é incondicional.
Eu devia saber definir isso muito bem, afinal, é o que sempre busquei.
Mas não sei.
Porque a incondicionalidade, conforme diria o Alan, determina a não condição. E como aceitar não condições, quando somos passíveis de errar nossos amores e desamores, de doar e não ser digno de um tratamento a altura.
Não, não falo de reciprocidade. Isso é hipócrita demais. Dar pensando no que vai receber? Por favor... seria o cúmulo selecionar sentimentos. Determinar doses de sentimentos doáveis a cada um é uma idéia que surgiu nessa "nova juventude", onde tudo é calculado e o American Way of Life impera.
Determino como incondicional aquilo que não vai contra a minha alma. Afinal, preciso de um padrão para determinar o que (ou quem) fica na minha vida, bem como o que deixo a vida levar embora.
Deixe-me fazer explicar:
Incondicional até agredir a minha moralidade, que qualquer pessoa que tenha meu amor e meu sentimento sabe qual é. Há de se ter esse limite, e tendo limites deixa de ser incondicional.
Na verdade, então, o único amor incondicional é o nosso por nós mesmos.
Mas isso, pra mim, é deplorável!
Como assim? E os amores de outrora, onde doava-se a vida pelo ser amado? Onde está a beleza romântica? Século XVIII???
Creio que tudo tem limite. Se alguém te pisa, tem duas opções: ou segue como se nada houvesse, ou pede desculpas.
A incondicionalidade acaba quando faltam as desculpas.
Matamos-na no momento em que se perde o respeito.

... E se ela morre, é porque o respeito não é recíproco ou porque amamos mais (ou menos), por mais que seja também indetermionável aquilo que é abstrato...

Domingo, Setembro 25, 2005

Como é fácil idealizar o mundo...
idealizar qualquer coisa, na verdade...
Criar tantas espectativas, que podem ou não ser verdades (ainda), mas idealizá-las, da forma que mais conv';em.
Triste, eu diria.
Triste porque é fácil e lastimável a forma como estruturas firmes caem, porque, na verdade, nunca foram certas: a viga estava inclinada, o pilar estava torto.

Mas idealizar faz parte do ser humano; ou do meu ser (cada dia acredito perder mais da minha humanidade), e qualquer estrutura que se cria num terreno não conhecido pode ruir.
Creio não ser mais tão criança a ponto de querer plantar árvores no lodo, ou criar castelos encantados sobre o pântano, mas ainda sou infantil a ponto de acreditar nas pessoas; de achar que sentimentos podem ser eternos ou encantados, a ponto de valerem ser guardados num castelo qualquer.

Estaria eu errada?
Possivelmente.

É incrível, mas o tempo vai passando, eu vou ficando mais velha, e cada vez mais acumulo ideais que aos 8 anos acreditaria serem medíocres. Talvez seja verdade aquela teoria de que mulheres atingem sua maturidade emocional na infância, e depois só vão regredindo. Talvez eu queira estar me encaixando em alguma estatística furada, apenas para fazer de conta que pertenço a alguma realidade.

Minha vida é um talvez.

O que é bom, dá espectativas! Mas ainda dá a possibilidade de lidar com o lúdico, e quando o lúdico e o real se encontram, a saída é complexa.

Acho que eu espero muita verdade de onde não vão vir; muita direção de equívocos. Talvez por eu estar tentando questionar o mundo e a mim mesma, tentar encontrar a solução da minha alma de uma forma esclarecedora, ao menos, eu espero isso dos outros.

Ou então eu espero isso desde os 8 anos, mas nunca tive a coragem de dar o primeiro passo.

O pântano é cobrível: castelos podem ser construídos ali em cima e não afundarem; talvez esteja na hora de aprender alguma coisa de engenharia, porque de verdades e mentiras o mundo está cheio, e o talvez mata muito mais que o sim e o não.

Quarta-feira, Setembro 14, 2005

Ela entrou na lotação tarde da noite. Chovia.
"Merda", pensou ela. "Meu lugar preferido está tomado".
Ela sempre procurava pegar o mesmo lugar desde que superou a fese extravagante de sua adolescência. Não queria mais reencontrar seu nome, ou vestígios de seu passado que ela tanto omitia dela mesma, mas não queria perder o lado destoante que a fazia percorrer toda a lotação enlameada, com sua sombrinha molhando assentos, para chegar ao fundo. "Onde o ar condicionado não me atinge". Ela pensava assim mesmo nos dias de mais calor. "De que adiantaria uma temperatura suposta, mas irreal?".
Ela sabia as verdades. a irrealidade das verdades que complementam tudo o que a cercava.

Mas ela seguiu. "Porra!" e sentou-se bem ao meio de uma lotação, no único assento em que não teria compania. Não queria compania; ninguém a entenderia. nem no meio daquela lotação, que era uma carreira a frente da sua fase superficial, e duas a frente de sua ânsia.

"Eu sou a única mulher aqui. Essa lotação passa por todos os puteiros dessa cidade. Tô fudida, é hoje que sou assaltada!" e a lotação entra em tal rua peculiar. Tudo tranquilo, apenas as prostitutas, que mais assemelhavam-se a dançarinas do Tchan imitando paquitas: figuras obscuras, oxigenadas, vestidas de branco, sainda das esquinas mais imundas daquele brejo. A lotação para. "Só o que me faltava: um cara travado de pó! Pelo menos ele é bonitinho... por que os podres são sempre os mais bonitinhos? E por que diabos ele está usando uma calça de couro vermelha??? Pelo menos é vermelho escuro... só me faltava... mais um bonitinho, cheirador e viado nesse fim de mundo a essa hora"

O percurso continuava. As luzes da lotação estavam imundas, amarelas. Pareciam ter todo o tipo de inseto morto dentro. Possivelmente tivessem. "E eu sou a única guria por aqui..." Ela sempre tivera todo o orgulho de ser mulher, mas não no meio daqueles porcos que babavam as cadeiras e a encaravam como se ela fosse um cordeiro. Novamente ela tinha de se fazer de monstro, pois o simples fato de o olho cintilar de uma maneira diferente poderia determinar um papo ou uma atitude alheia muito desconfortável e totalmente indesejada. "Porcos. Por que têm de ser assim? É tarde, vão babar em seus acentos! Vão descer nesses puteiros!!!!"

Muda-se a rua. O caminho lhe é estranho. "Odeio estar perdida. E se estiverem me raptando? Hahahaha, o pobre motorista montando uma granja! Mas devo estar perto... o caminho pelo menos parece fazer sentido... " E entra uma outra menina na lotação.

Pouco a pouco os homens saem. Ficam ela, a outra menina e um senhor, dormindo, que certamente ja perdeu a sua parada. Ela estava meio encolhida, ainda, evitando os olhares alheios e evitando seu próprio olhar no vidro: a chuva parecia mais divertida, e descobrir aonde estava era necessário.

Ela se localiza. Com firmeza. Crava seu guarda-chuva no chão. o senhor acorda com o baque estranho, a menina da frente (logo a frente dela) nem a tinha notado, dá um pulo. Ela se levanta, audazmente, com um orgulho desnecessário. Ela não tinha feito nada.

Põe a mão no bolso. "Meu bolso está bem quente; eu devia poder manter minha mão aqui, mas tenho que pagar esse cara que quase arruinou a minha vida!" Ela paga.
Põe a mão novamente no bolso.
Encosta-a no rosto.

" Mãe, por favor, vem me pegar! Ta tão frio... "

Sexta-feira, Setembro 09, 2005


Anõe que somem, anões que aparecem e fogem, anões que morrem, anões que buscam tragédias...

... e a Branca de Neve entrou em sono profundo, porque ela sempre foi muito glutona, comeu uma maçã. A ironia, talvez, é que ela nunca comeria uma maçã do amor, creio eu, porque daí sim, ela estaria, nesse meio tempo, construindo um castelo para se esconder dentro, e nunca morar. Ou melhor: uma fortaleza.

Como seria essa fortaleza?
Teria uma masmorra, é óbvio, porque todo herói se destinaria até lá para regatá-la, mas a fortaleza é tão rica e adornada, tudo brilha tanto e é tão encantado, que certamente o fosso que dá para o porão enlameado passaria reto.

Mas ela não estaria ali por fazer parte daquele meio, nem por não querer ser resgatada, mas apenas porque bravos seriam audazes de captas uma respiração baixa e ofegante de desespero???

Mas de que adianta pensar em hipóteses?
Ela dorme.
Um sonho de queda, mas não fatal.
Queda de doendes e fadas.
Mas todos de papelão.

Ela não tem medo, e nunca teve. Ela nunca soube o que é temer.
Talvez seja a hora.
Talvez seja a hora dela.

Domingo, Agosto 07, 2005

Todos pensam que é fácil, e talvez realmente seja.

A gente nasce, se preocupa em chorar e mamar. Calor também é importante. Mas logo isso muda.
Então a gente se preocupoa em brincar, correr, talvez os primeiros dramas sejam orais (talvez por isso eu seja unicófaga até hoje), e vem a dentição crescendo e depois caindo. As roupinhas são lindas; aquelas que mamãe fez, ou aquelas que mamãe escolheu porque ficam tão lindas na gente que todo mundo nos elogia. OBA! Um motivo para fazer poses e bater fotos! Talvez a minha infancia seja a fase de maior número de fotos que eu tenho, e certamente a fase em que eu achava ótimo aparecer em fotos, pois tinha dúzias e dúzias de pessoas que diziam que o ranho que saia do meu nariz nos meus dias de gripe era o ranho mais lindo que o mundo ja viu. (Teria sido assim com todo mundo???)

Então entra-se numa fase mesquinha, onde a gente tenta excluir o máximo de pessoas de um pseudo circulo social que temos e, simultaneamente, tem alguém fazendo isso conosco. Sim, nós temos de nos adaptar a alguma coisa. Ou a tentar ser aceitos, e tentar ser como aqueles que ambicionamos, ou a explodir o mundo e que venham a mim apenas os melhores.
Creio que a minha decisão a esse respeito tomei um dia desses...

Mas vem então a (oh!) tão falada (oh!) adolescencia. E tudo que ja desregrava-se, piora. Porque mulher, depois que menstrua, acha que é adulta, e se acredita responsável e dona de si. Mas espera aí!!! Que noções disso se teve até agora??? Exatamente!
Nenhuma!
Então aí começa aquela coisa absurda que chamam de crise de adolescencia. Talvez eu esteja passando pela minha agora, mas creio que não. A minha finalmente foi passada e superada!
O sonho de uma menina aos seus 16 anos é ter 18 anos, ter carro, sair de casa sem rumo, comprar seu sapatos, suas roupas caras, trabalhar, ir morar sozinha, renegar pai e mãe por um amor insano, sexo, ou apenas festa. Ter um bar... até hoje quero ter um bar! Quer coisa mais legal que poder trabalhar e se divertir, talvez fazendo fortunas como num bar da moda, bem caro??? (isso porque aos 19 ja estaria formada, creio eu, e com um salário milionário; creio que eu via a vida assim, apesar de nunca ter sabido claramente o que queria fazer dela_ e agora sabendo ainda menos)

Mas eu posso seguir nisso o resto de noite que me resta. Pode-se assumir essa vida de incertezas, mas a incerteza torna incoerente se tomar uma decisão que te altere por toda a tua vida. Roupas, carro e sexo é muito divertido, muito bom, mas o background disso tudo está na experiencia, e no porte. No saber portar-se. No saber tomar atitudes!

Atitude
Atitude
Atitude

Putz, é uma palavra tão bacana, e tão vazia para a maioria das pessoas. Eu não vou me excluir, afinal, a comodidade mata a atitude. Os grandes aprendizados não se têm quando se queria mamar no quentinho, ou quando caiam-se os dentes. Nem quando se está influenciável, e muito menos quando se está SEMPRE certo. Na verdade, creio que as grandes verdades surgem quando estamos totalmente perdidos, ou com a plena certeza de estarmos errados ou com o peso dos erros sobrecarregando demais o corpo; e esse sobrepeso, nenhuma balança aponta, e apenas aqueles de fé que nos mostram. Claro, eu sou perita em cair de joelhos e não me dar conta, mas sempre têm aqueles que param e olham; aqueles que param e riem da tua cara e aqueles que estendem as mãos.

Talvez isso seja responsabilidade, afinal. Saber que a gente sempre está certo e errado, mas que sempre podemos ajudar alguém que cai.



Nossa... como existem poucas pessoas responsáveis hoje em dia...

Quinta-feira, Julho 28, 2005

Quem vê a Fantástica Fábrica, depara-se com um monstro cinza numa cidade cinza, onde apenas tem calor numa casa engraçada e desengonçada, suja e caída; visivelmente uma brincadeira com o nosso lúdico de desestrutura externa, mas dentro tinha tudo aquilo que no resto do mundo não tinha: cor.

Talvez por isso que a tal fábrica era tão idealizada; ela era grande e distante, mesmo estando no meio da cidade. poucos podiam estar ali e viver ela, e mesmo os que podiam, poucos sabiam o fazer. Mesmo os que queriam, poucos sabiam o fazer. Sabe como é... cor demais num mundo cinza pode apavorar.

E certamente queremos sempre ver o objeto majestoso e misterioso por dentro, mesmo que normalmentre não saibamos dar o devido valor. Assim como flores, a maioria das coisas precisa de amor para brotar da forma como desejamos, e não sei se há, hoje, amor o suficiente no mundo para ferilizar um solo há tanto tão árido.

Certamente não serão os Zacarias em miniaturas ou cascatas de chocolates quem fazem o mundo encantado, nem mesmo cogumelos de bolotas ou algodões doces de lã rosa. Olhar simploriamente essas coisas podem apenas danificar a noção de realidade, ou abalar a veracidade ou a confiança de quem expõe tais verdades.

Verdade? Mas que verdade?

A verdade de que não há uma verdade. A verdade de que não se sabe mais o que faz a Terra girar; que a ciência não mais explica tudo, bem como a infância acaba cada dia mais cedo e os sonhos não existem mais. Eu nem a noite sonho mais; é raro.

A verdade que dizia-se que o amor fazia o mundo girar, depois virou a esperança, depois o dinheiro, e agora não se fala mais, porque é mais fácil uma explicação científica do que uma metáfora social. A verdade, enfim, é que a palavra e o valor pessoal, cada dia mais, tem um preço, e cada um tem o seu. (Qual o seu??? )

Não sei... poderei criticar as mocinhas de todos os filmes antigos por toda a minha vida. Poderei criticar o menino da casa ácida e caída. São todos lentos e conseguem passar de personagens principais a secundários por opção, e isso, honestamente, é perder-se num Big Shot... mas eles estão certos em uma coisa: nunca se traíram, nem traíram suas convicções. Sabiam o que suas estruturas suportariam. Não se venderam jamais para um sistema qualquer.

E o mais interessante: eles podem ter
qualquer vida, em qualquer filme, qualquer ação: nunca viverão numa cidade
cinza. Sempre será quente e acolhedor.

... Queria eu também ter uma casa suja,
angulosa e ácida, onde a sopa de repolho fosse bem aguada e todos soubessem pelo
que estão lutando...

Quarta-feira, Julho 20, 2005

Tantas coisas me são incoerentes ultimamente... realmente, o surrealismo da minha adolescencia está voltando, e com ele o saudosismo doentio. Claro que, ironias a parte, análises e metáforas de plantão, a coisa deu uma amadurecida, uma crescida e uma assentada (até).
E aí estão as coisas cômicas das últimas 24 horas: o ver desmontar o passado, aquele que foi tomado sem permissão e que já não fazia mais parte, mas que reclamavam quando tu exigia um pedaço que era teu por dever; parece que, por ciclo de dever, tudo o que foi colocado ali sem permissão e por desleixo, foi-se sem piedade, e foram as únicas coisas dadas a destruição e sem retorno. O pior é que a força geratriz da catástrofe ( ou seria a força motriz de todas as catástrofes ultimamente?) não aceita ter falhas ou defeitos, e eis que então voltamos ao mesmo círculo vicioso de mundo.
Por isso faço questão de postar uma coisa mais surreal que essa visão absurda e irritante de mundo que estou hoje, talvez para dizer que o arco-íris é escalável pelo simples fato de que a coerencia mata, assim como matou atreio ou transformou os diabinhos da Diabolin; certamente existem maiores lunáticos que qualquer um que se preste a ler tal desabafo estranho, bem como existem punições bem piores do que aquelas que nós mesmos nos sentenciamos.
A pergunta continua: vamos tentar escalar?

Autoridades da Malásia prenderam nesta quarta-feira 58 seguidores de uma seita bizarra que cultuava um bule de chá gigante, dois dias depois de a sede do grupo ter sido incendiada.
A agência oficial Bernama disse que os presos tinham idade entre 20 e 60 anos. Entre eles estava uma mulher neozelandesa que admitiu ter se convertido ao islamismo oito anos atrás.
O líder da seita, Ayah Pin, não estava entre os detidos e acredita-se que esteja foragido depois que 35 pessoas armadas com facões e coquetéis Molotov atacaram a sede do culto na segunda-feira, colocando fogo em um carro e no teto do prédio, danificando parte do bule.
A polícia prendeu um homem de 65 anos pelo ataque.
A seita, que acredita que o bule tem propriedades curativas, funcionava no nordeste da Malásia, área de forte presença muçulmana. Ayah Pin dizia ser Deus e se considerava dono de todas as coisas do mundo.
Autoridades religiosas tornaram ilegal a seita do bule argumentando que ela era fora dos padrões.
Os detidos podem pagar multa de 789 dólares ou ficar presos por dois anos por desafiar a lei.
A maior parte dos muçulmanos na Malásia considera o Islã sua religião oficial e tolera outras grandes religiões como o cristianismo, o hinduísmo e o budismo.

Quarta-feira, Julho 06, 2005

A neurose é minha, é feminina ou é geral?
Esse ano está sendo um fardo geral, e quem passar com louvor sem degradar-se perante si mesmo deveria saber ajoelhar-se e agradecer qualquer crença que tenha, mesmo que seja os vermes que o comerão depois de uma morte sórdida.
Mas o emocionante é ver que muita gente está na ativa, mesmo diante de tantas ambiguidades mundanas; tem gente tentando fazer alguma coisa mudar, e estou muito feliz de ver que, ainda que seja uma menoria, o umbiguismo não é mais uma lei, mas uma decisão cada um.
Eu nunca fui um bom exemplo de nada, e me retirar do grupo umbiguista também não é uma máxima aplicável. Qualquer tipo de comodismo chega para ficar no corpo, e são poucos os fortes o suficiente para se livrarem dele.
Hoje vi Star Wars (tardiamente), e Anakin tinha isso bem claro: o comodismo. É fácil errar, ir para o lado negro (que ele mesmo assumiu ser errado)_ que tinha suas vantagens, mesmo que incertas_, mas o peso de suas ações caíram sobre ele, e ele sucumbiu pela ambição dele mesmo e teve orgulho demais para assumir o erro dele mesmo, e passou o resto da vida (como vimos durante a infancia) lutando contra o que sabia ser o certo, mesmo podendo e tendo plenos poderes para se libertar, apenas para não travar uma batalha em sua vida (ou seria outra?). Ou seja, ele viveu mentiras e fez males que não necessitavam existir apenas por não assumir verdades comprovadas para ele, bem como não se mexeu quando devia por simples... o que? Não sei, o filme não me respondeu muito bem... (o filme tinha sérias falhas...)
... Não foi a toa que a Amigdala decidiu morrer; nem as decisões de seu amado foram bonitas, nem o fim do filme...
Mas retornando, ultimamente tenho sido muito procurada para resolver problemas de comodismo; é engraçado, pois como disse anteriormente, não sou uma pessoa perfeita nesse quesito. Mas de qualquer forma, o impressionante é que isso quer dizer que tem muita gente pior que eu... ou seja, gente q não sabe fazer nem o seu minimo (porque não sei se faço mais que isso). Fala-se em ajudar o próximo, em belas ações como o Live 8, em ser expansivo para melhorar o mundo, em nacionalismos abalados, mas ninguém sabe fazer mais do que o seu mínimo, quando sabe! Será que alguém me acompanha na visão do absurdo que é isso??? É ver a humanidade sonhando baixo para não ter de se esforçar para alcançar nenhum sonho, é ver gente vendendo a alma para pagar as contas de um jornal que serve para libertar a cabeça dos leitores, é deixar pessoas que nos amam chorar apenas porque é difícil assumir que erramos. A Amigdala, pelo menos, deve entender o que eu falo...
OK, opto e novamente afirmo o meu voto. Eu vou subir no arco-íris apenas porque descer de bunda deve ser bem divertido, e se o pote de ouro realmente existir, pelo menos para amenizar (ou piorar) a minha queda...
Areia da grossa
Areia da fina
Areia me faça
Ficar pequenina

Terça-feira, Junho 21, 2005

Finalmente, louca e sem tratamento.

... E então, noto que tinha dúvidas quanto a mim mesma; dúvidas simples, mas ainda mais simples de serem solucionadas.
Era possível ainda andar sozinha? Não sabia mais, pois sempre uma muleta me acompanhava, de perto ou de longe. Quando com muita dor, sempre haviam remédios que a acalmavam, mesmo quando ela fosse necessária.
Mas... quando o medo da aceitação (ou mesmo não aceitação) vem de um quase alter ego _porque é isso que acaba se tornando_, quando a gente passa a acreditar que nada nem ninguém é capaz de nos compreender, acredito ser hora de se fazer uma pausa.

Talvez realmente ser alvo de uma disputa seja uma boa premiação subconciente. Talvez lutar e se ver optada também (ok, são dois casos completamente diferentes), mas nem sempre sabemos quando nós nos escolhemos. Eu definitivamente não sei ser a minha premiação nem a minha opção, mesmo depois de 13 anos. Talvez fosse hora, não?

Ou não. São 13 anos, realmente, e eles sempore exigem essa pausa reflexiva, antes de uma decisão definitiva. Acho que 13 sempre determinou mudança em numerologias baratas e sempre foi número de ódio nos EUA (mais um motivo para considerar), e realmente, uma fazer em que, contradizendo tudo o que me foi dito no último post, eu estou sólida, sóbria e madura, indiferente de como está minha conta bancária ou meu pé. Pela primeira vez em muito tempo estou com a alma lavada, e receios que me duravam anos finalmente saíram de mim. Estou contente com o ser que estou me tornando, bem como com as pessoas que estão entrando em minha vida.
Limpeza na vida é necessária, e quanto mais lixo a gente se permite tirar, melhores soluções parecem surgir.

... E novamente eu ouvi aquela frase, quase cotidiana, dos meus últimos 13 anos... "mesmo que tudo desse certo, ninguém entende mesmo a tua lógica"...


...E pela primeira vez isso me deu orgulho de ser realmente quem eu sou...

Terça-feira, Junho 14, 2005

Essa me foi uma semana pesada, e leve ao mesmo tempo. Tenho tido de me deparar com a verdade do tempo, e a realidade de tremer as pernas que ele pode ter na minha verdade. Falo da minha verdade porque é o fato que tenho de encarar, e o meu maior medo atual: a possibilidade de ser pseudo inválida por um período extenso e indefinido, e talvez essa invalidez assemelhe-se a forma como me vejo agora; dependendo dos outros e sem poder dar meus largos passos por opção. Talvez seja imaturidade minha ver isso, ou pessimismo, ou o pior adjetivo que poderia trazer a mim mesma: realismo. Mas, afinal, o que é maturidade? O que é isso que tanto exigem, e nunca ninguém me explicou exatamente o que era? Sinto-me leiga! Pô, cresci vendo a Xuxa e a Mara dizendo para nunca deixar o seu lado criança morrer, e realmente, eu não deixei. E não quero deixar! Pode ser essa mesma imaturidade, mas ainda deve ter um pote de ouro no final desse arco-íris! Mas voltando, não sei o que dizer... Maturidade, então, não é deixar de brincar, porque a Mara e a Xuxa são maduras; lavar as calcinhas no banho também não é um bom sinônimo (elas nunca fica muito bem enxaguadas, então chega a ser meio inconseqüente, genitalmente falando). Fazer dinheiro? Não, isso é materialismo. Materialismo... será que isso é maturidade? será que eu preciso querer ouro e aceitar total diferenciação de classes e vender a minha alma para ser madura? Hm... Talvez esse seja um caminho prático para provar algo para alguém, mas será essa uma verdade universal? Ultimamente vejo a maturidade como adjetivo para quem encara os fatos, ao invés de figir deles. Isso me leva a executivos de 50 anos debilóides com cérebro de nenéns e pimpolhos de 17 anos me dando lições de vida (será que também foi assim com a Branca de Neve?).

Bem, maturidade é uma coisa muito complexa e madura para ser pensada. Agora creio ser hore de voltar para Darshan, pois Brutus e Dorin me aguardam, e o Cavalo de Fogo já abriu a passagem...

... porque a passagem pode ser apenas uma porta para muitas pessoas, mas a minha ainda é furta cor e brilha no escuro...

Sexta-feira, Junho 03, 2005

Bem, tenho tentado escrever... não sei se ando muito confusa, se ainda não é a hora... depende do que penso no momento...
Acho que depois de uma experiência de 13 dias tão marcante (que, querendo ou não, sempre é_ e ainda foi longa), poucas palavras representam o que realmente penso ou sinto. Até porque muita coisa (MESMO) aconteceu naquele hospital.
Talvez o mais importante tenha sido a consolidação daquilo que tinha sido o meu último post... uma nova consciência própria que fazia tempo que não atuava tão bem. Mas é lógico que hoje vou falar do que mais me abalou (intimamente, não das coisas que vi, ouvi ou sofri), afinal, sou ou não sou uma novela mexicana? Conforme o meu médico, sim, e ainda hipocondríaca!
Deparo-me, então, com aquilo que tanto relutei para não ver e agora foi esfregado na minha cara: o quão desnecessária eu sou. Tá, mas isso era óbvio já há muito tempo... o problema está em quem faz juras do oposto, mas que quando se realmente precisa, não está ali.
Sabe? A minha idéia era de não avisar ninguém que eu estava internada. Quem me ligasse, saberia. Só fiz questão de avisar uma pessoa, que foi o único ser que me agüentou o tempo todo enquanto eu tava num péssimo humor, chorando por nada, e ele ainda dormia aqui... Como sei que ele tem o tempo restrito e que ele se preocupa muito comigo, foi o único a quem não apliquei (inicialmente) minha decisão. Minha mãe logo falharia com isso, o que foi bom para mostrar as verdades que tanto ignorava.
Voltando, talvez a culpada seja eu mesma; porque eu encarei a forma como eu fui encarada como se eu fosse uma piada, e talvez muita gente achasse que fosse uma piada. Possivelmente, todo mundo achava que eu tava me fazendo! Afinal, putz, é uma pseudo doença, pseudo sintomática, os sintomas mudam todos os dias e eu não desenvolvi nenhum deles até o fim (por sorte total!), mas não sei. Acho que por estar no hospital gostaria de ter recebido mais apoio de pessoas que me amam.
Calma, não tô falando de todo mundo! Pô, meus visitantes foram maravilhosos!!! O Alan "descendo escada" quando eu não podia me mexer, o Dani com os jogos para os "entre vômitos", a Guga e a mãe com os tricôs, o Bruno e os testes na cama para o In Metro (Ah, a cama ficou estralando um tempão depois!!!), a Malu desesperada para ver minha punção, cumadres e cumpadres da família e, é claro, a super Grazi, que desceu de Caxias p/ garantir que eu tava mesmo morrendo... hahahaha!
Falo daquelas pessoas que sempre se disseram ombros amigos, amigos de fé e irmãos camaradas, e pra quem eu garanto que fui, e num momento em que realmente essas pessoas foram necessárias, elas sumiram! Entendo quem tem medo de hospital, mas tinha telefone do lado da minha cama! Quando eu não podia me mexer, eu até preferia!!!
Pô, e por telefone aquelas pessoas que eu nem sabia se iam com a minha cara me ligaram pra me animar, ja que eu estava sozinha no hospital. Gente, é disso que falo! Talvez (até) isso seja solidariedade!!! Na verdade, é egoísmo e megalomania, mas a gente apela para os outros!
Porque eu não vou dar nome aos bois. Mas teve dois meninos em específico que me magoaram muito, simplesmente pela minha saúde ser tão desinteressante.
Então é isso que aconteceu!
Eu morri!
Para essas pessoas, eu morri!
Pode parecer drama, até porque eu sou dramática, mas que se exploda! Acredito que, se minha saúde vale, nem que seja, telefonemas ou (até) cartas de pessoas que conheço pouco, pessoas que freqüentam a minha casa deveriam considerá-la um pouco também. Mas tanto faz: to bem, to feliz e isso ninguém me tira!
Ah! Aos que estavam fazendo corrente positiva paralela, o Crô ta comendo e ta melhorando visivelmente e miraculosamente!!!
PS: Desculpem o desabafo. Precisava tirar essa ira de dentro de mim. Talvez eu devesse dar nome aos bois... Talvez outro dia...

Terça-feira, Maio 10, 2005

Não é uma coisa que tenha vindo nessas minhas crises depressivas de dor de cabeça, mas uma coisa que me importuna tem muito tempo. O quanto vale o sentimento.
Quanto pesa (ou deve pesar) na vida das pessoas as suas aspirações? Será que é viável eu, como ser humano em busca da plenitude da felicidade, abdicar das coisas que amo e zelo por dinheiro, segurança e estabilidade, numa sociedade que nem sei se prezo ou desprezo?
Talvez meu lado sonhador, já amortecido tem muito tempo, esteja novamente se manifestando; talvez a solitude (que para mim é sem nenhum fundamento) não tenha ainda se apossado de mim, e eu consiga ainda andar com as minhas pernas longas nas nuvens, onde a capacidade criativa me parece ainda ter encantos.
Para mim é triste e desestruturante imaginar uma vida sem a gana de fazer o que se acredita, mesmo que dê errado ou que se precise baixar um padrão de vida. Não imagino uma vida se estruturando em cima de uma mentira pessoal, onde se finge estar bem porque tem dinheiro no bolso.
Ta, claro, eu sou uma baita consumista. Dinheiro para isso é bom! Mas... realmente necessário? Não. Hoje vejo que minhas necessidades primárias são bem pouco constituídas de bens materiais. Não deixo de consumi-los incontidamente, não vou ser hipócrita, mas sei que de forma alguma são prioridades.
O que noto (e posso estar plenamente enganada) é que as pessoas se envolvem em dinheiro e, cada vez mais, se afundam nele. A honestidade tem perdido seu valor, bem como valores sociais estão se dispersando. Talvez essa visão capitalista não funcione mais. Para mim, não funciona há muito tempo.
Precisei de muitas opiniões para saber se estou surtada ou se isso é uma forma sólida e consistente de encarar meus dilemas atuais. Claro, dilemas. Devo seguir o caminho estruturado e seguro que todo mundo insiste que eu siga (talvez um concurso para alguma coisa que eu odeio, ou um trabalho no banco), ou devo seguir o caminho que eu sempre soube que era meu, avoado, insólito, sem nenhuma segurança e sem saber do dia de amanhã. Na verdade, tanto por felicidade, satisfação pessoal ou simplesmente pelos valores que quero passar para os meus futuros filhos, o segundo caminho sempre me pareceu mais seguro para mim. Sem estrutura, mas possivelmente com a maior estrutura interna que eu poderia ter: aquela que me agüenta, e não se importa com o que vão considerar. Porque essa é a verdade: não importa o que os outros possam pensar, se eu estou estabilizada!
E por mais doente (e insana, possivelmente) que eu tenha andado, creio ter encontrado um ponto estável dentro de mim, e isso ninguém é capaz de criticar de forma a abalar. E-mails estúpidos e gente querendo o teu mal chega a toda a hora na vida, mas respeito pelos outros é difícil hoje em dia, e por si mesmo me parece ainda pior de se adquirir. As vezes, o "por favor" deve vir antes da ameaça, porque ele funciona com muita gente; o problema é que muita gente também esqueceu a educação em qualquer outro lugar, mas não a trouxe para a vida, para o cotidiano.
Só devo poder acrescer um ditado chinês (se não me engano), que eu honestamente não sei qual a tradução literal, mas é mais ou menos isso: "vá pelo caminho mais sinuoso para ver a beleza da paisagem".